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Publicado por MC Zanini em 25 Fev 2010 | sob: Sem Categoria
Atendendo a um pedido de @londresdetrevas (secundado por @edufa), aí vai um trecho de Changeling traduzido nos últimos dias. Ainda precisa de alguns retoques, mas acho que o trecho dá uma boa ideia de como os criadores do jogo levaram Changeling para o lado do horror de maneira brilhante.
Espero que vocês curtam este conto tanto quanto eu.
MC
Ela esfregou a mão. Havia parado de sangrar, mas ainda doía. Ou melhor, coçava. Os arranhões na perna também começavam a inchar, e cada passo fazia os dedos de seus pés escorregarem todos juntos.
O sangue se acumulava nos tênis.
Fazia horas que ela chamava por ele. Gritava o nome dele. Ela o havia seguido jardim adentro e planejava realmente falar um monte para ele, porque ele sabia muito bem que não podia sair depois de escurecer. Mas agora ali estava ela, numa parte do bosque que nunca tinha visto antes, toda cortada por causa dos espinhos. Tinha se perdido havia uma hora e, desde então, vinha gritando o nome dele, gritando…
… o nome dele. Como era o nome dele?
Ela se deteve e sacudiu a cabeça. O nome dele estava lá, em seu cérebro, e ela sabia. Sabia o nome de seu gato (Pinguim) e os nomes de seus patrões (Brian e Stella), e o nome do gato deles (Fusi), mas como era a droga do nome do garoto?
Continuou andando, com os dedos dos pés ainda úmidos de sangue, o arranhão na mão ainda coçando. Caminhava mais devagar agora. Estava confusa, tinha dificuldade para controlar a respiração ou, talvez, seus pensamentos…
… e, quando aquele rosto apareceu, ela quase gritou.
— Volte!
O rosto tinha uma cabeça atrás dele e um corpo por baixo e parecia bastante familiar, assim meio como a menina que havia se afogado no ano anterior.
— Você não morreu? — ela perguntou.
A coisa-menina — não parecia realmente uma menina, só de um certo ângulo — chacoalhou a cabeça violentamente.
— Não há tempo! Volte! A trilha fica só alguns passos atrás de você!
— Mas tenho que encontrar… ele.
A coisa-menina fechou e apertou os olhos, como se tentasse bloquear a dor. Ficou em silêncio por um longo momento. Depois disse:
— Ele já voltou para casa.
Ela começou a protestar, mas aí descobriu que não tinha forças. Retrocedeu alguns passos. Encontrou a trilha. Voltou para a casa.
Mais tarde, os patrões perguntariam por que ela deixou Danny — esse era o nome dele! — sozinho durante tanto tempo. Por que ela tinha saído para passear no roseiral? (Afinal, de onde mais teriam vindo aqueles arranhões?) Mas ela só conseguia pensar na coisa-menina, tão triste e assustada, e no motivo pelo qual a criatura usava uma coleira de cachorro.
E no motivo pelo qual Danny parecia mais alto agora do que naquela manhã. E por que ele não sabia o nome do próprio gato?
Changeling: os Perdidos, pág. 11
Publicado por MC Zanini em 04 Fev 2010 | sob: Sem Categoria
A RedeRPG acabou de lançar o concurso “Aventure-se no Mundo das Trevas”.
Quem bolar e redigir o melhor roteiro de aventura para o cenário do Mundo das Trevas vai ganhar um exemplar novinho em folha da mais recente reimpressão do Livro de regras do Mundo das Trevas, uma publicação da Devir Livraria.
Todas as informações sobre o concurso estão em:
http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=6656
Abraços a todos,
MC Zanini
Publicado por MC Zanini em 20 Out 2009 | sob: Sem Categoria
Eu me inscrevi no Twitter algumas semanas atrás, e, só de curiosidade, esperei para ver quanto tempo os tuíteiros levariam para descobrir isso.
Bom, descobriram.
Então lá vai a divulgação oficial:
Twitter Feed de MC Zanini/MdT Brasil = @MdT_Brasil
(Publico ali notas rápidas sobre o que ando fazendo. No momento, Mago: o Despertar, entre um comentário e outro do meu lado mãe. Pelo jeito, como não tenho tido tempo para responder com calma e-mails e comentários, será a maneira mais rápida dos fãs de MoD se informarem a respeito do andamento do livro.)
Twitter da Devir = @DEVIR_LIVRARIA
(Notícias sobre lançamentos da editora.)
Publicado por MC Zanini em 05 Jul 2009 | sob: Sem Categoria
Ana Letícia di Fiori, uma amiga querida que estava em Ouro Preto acompanhando o julgamento de Cassiano Inácio Garcia, Maicon Fernandes Lopes, Edson Poloni Lobo de Aguiar e Camila Dolabella Silveira – acusados pela polícia local e pela promotoria de matar Aline Silveira em 14 de outubro de 2001, na cidade de Ouro Preto - MG, durante um suposto ritual satânico motivado por uma “partida” de RPG em que o “perdedor” era assassinado –, acaba de nos informar que o júri popular considerou INOCENTES os quatro acusados.
(Quem é RPGista entende o porquê das aspas e o despropósito dessas afirmações divulgadas constantemente pela imprensa. Mas, para os leigos, um esclarecimento: RPG não é um jogo competitivo, não há perdedores nem vencedores; para não mencionar a absurda associação com o satanismo.)
Enquanto aguardamos mais informações sobre o desfecho do caso, aí vão algumas considerações:
Aline Silveira foi brutalmente assassinada com 17 facadas e seu corpo nu e coberto de sangue foi encontrado no cemitério da Igreja de Nossa Senhora das Mercês. Ela estava na cidade a passeio, acompanhada da prima Camila e de mais uma amiga. As três haviam se hospedado na república estudantil Sonata, onde moravam Cassiano, Maicon e Edson. A perícia concluiu que os golpes de faca foram desferidos por uma só pessoa, canhota ou ambidestra. Uma parte da arma do crime foi encontrada no local.
É difícil explicar em poucas palavras como a polícia e, mais tarde, a promotoria chegaram à tese de que quatro pessoas teriam participado do assassinato em meio a um ritual/”partida” de RPG. Mas chamava a atenção a superficialidade de algumas supostas provas apontadas pela acusação: o fato de alguns acusados terem o jogo Diablo instalado em seus computadores pessoais; o fato de Cassiano ter retirado da parede de seu quarto um cartaz do filme O corvo; os livros de RPG apreendidos na república Sonata, que nem sequer pertenciam a Cassiano, Edson e Maicon; a suposta quantidade exagerada de bijuterias usadas pela vítima de 18 anos, o que apontaria a presença de outra mulher na cena do crime (?); entre outras.
Nesses quase oito anos de processo, os quatro acusados sempre se declararam inocentes. O único que admitiu conhecer RPG foi Edson e, em sua defesa, fez questão de esclarecer a quem o interrogasse o que era RPG e por que a tese da promotoria, calcada na suposição de que os acusados eram “contumazes” RPGistas, parecia absurda.
Parece que para Cassiano, Maicon, Edson e Camila, enfim, o pesadelo da acusação – ao que tudo indica, injusta – finalmente terminou. Infelizmente, depois de tantos anos agarrando-se a um caso que desafiava o bom senso, os órgãos de justiça envolvidos talvez tenham deixado escapar qualquer pista que pudesse levar à identificação e à captura do verdadeiro assassino. A família da vítima e a sociedade em geral continuarão assombradas pela pergunta: “Quem matou Aline Silveira?”.
O caso de Ouro Preto entra para a lista internacional de acusações equivocadas à prática do RPG. À semelhança do que já ocorreu em outros países, é bom saber que aqui no Brasil a razão também prevaleceu.
Publicado por MC Zanini em 20 Ago 2008 | sob: Sem Categoria
Saudações a todos,
Peço desculpas pela ausência de novas notícias e mesmo pela demora em liberar e responder comentários nos últimos dias. Estamos cuidando de duas publicações no momento: o Escudo do Narrador de Lobisomem e Lugares misteriosos. As duas estão dando mais trabalho do que esperávamos inicialmente. De qualquer maneira, imagino que a coisa se normalize no máximo em duas semanas. Por isso, peço a vocês mil desculpas e um pouco de paciência.
Grata,
Maria do Carmo Zanini
Editorial Mundo das Trevas Storytelling.