Pessoal, desculpem-me a secura, mas meu tempo agora é um artigo de luxo. Tenho que aproveitar cada segundo de sono da minha filha para me dedicar a todo o resto da minha vida.

Bom, minha previsão inicial de publicar Mago em maio de 2009 já desceu pelo ralo. Como várias pessoa estão ansiosas, vamos a alguns esclarecimentos:

1. Eu sou a editora da linha Mundo das Trevas Storytelling, e não simplesmente a tradutora deste ou daquele título. Ou seja, eu supervisiono ou cuido pessoalmente de TODAS as etapas da produção de cada livro da linha: escolha dos títulos, tradução, preparação, listas de padronização da terminologia, requisição de ISBN, ficha catalográfica e classificação etária indicativa do MJ, diagramação, revisão de provas gráficas e (às vezes) acompanho também a primeira impressão na gráfica (como aconteceu com Lobisomem). Além disso, dou pitaco nas ações de divulgação da linha e tento manter contato com os consumidores (seja por este blog, seja respondendo mensagens que chegam a mim pelo “Fale Conosco”).

2. Por que traduzo pessoalmente os livros básicos? Porque eles vão determinar a terminologia de jogo e gosto de garantir que essa tradução tenha qualidade. Acontece que eu levo muito mais tempo para revisar a tradução de outra pessoa do que para traduzir o texto eu mesma. Daí, acabo cuidando da tradução dos livros básicos (que são imensos) eu mesma.

3. Ou seja, Mago não vai para a diagramação enquanto eu não preparar o capítulo quatro e os apêndices um e dois, além de validar a preparação já feita por Patrícia Narvaes até o final do capítulo três.

4. Nosso contrato com a White Wolf estabelece que tentemos reproduzir com o maior grau de fidelidade possível os projetos gráficos originais. Na maior parte das vezes, como é o caso de Lugares misteriosos, por exemplo, conseguimos fazer isso sem dificuldade (as gráficas brasileiras estão equipadas para imprimir livros em capa dura, com laminação fosca e reserva de verniz). Mesmo assim, somos obrigados a usar um papel de gramatura menor que aquele usado pela White Wolf, para que o preço final do livro não se torne impeditivo para a maioria dos consumidores brasileiros. Em outros casos, como Os ritos do dragão, os materiais usados pela White Wolf não estão disponíveis aqui, aí temos de adaptar e submeter as alterações ao crivo de matt milberger. No caso de Mago, assim como aconteceu com Lobisomem, vamos tentar reproduzir a capa em seis cores e o miolo em duas cores, inclusive a tinta dourada.

Bom, eu ainda estou de licença-maternidade (e só volto ao trabalho em julho, provavelmente). Fiz um esforço absurdo para tentar terminar a tradução de Mago antes de sair de licença, mas só consegui finalizar o capítulo três na última semana de trabalho e tive de pedir socorro ao Sooner e à Patrícia.

Agora estou tentanto retomar a tarefa ainda durante a licença, porque quero muito ver Mago publicado ainda neste semestre, mas não sei se vou conseguir. Posso prometer apenas que farei o possível. Previsão de lançamento? Prefiro não arriscar por enquanto. Mas vou continuar mantendo vocês informados quanto às etapas da produção.

Pelo que vi nos comentários a meu post anterior, já começaram as discussões sobre a terminologia de Mago. Termos como “Fate”, “Destiny”, “Doom” e “Wyrd” são sempre problemáticos, pois obrigam o tradutor a recorrer a termos incomuns em português para evitar repetições e confusões (o léxico inglês deve ter o dobro do tamanho do léxico português). Sim, eu poderia ter traduzido “Fate” como “Destino” ou “Sina”, mas preferi “Sorte”, que também significa sina e destino. A tradução não está ERRADA. É óbvio que alguns leitores terão preferências e opiniões diferentes, mas quem vai assinar a tradução sou eu, e não eles (parece arrogância, mas não é: alguém tem que tomar a decisão final sobre a terminologia e é impossível agradar Acanthi e Mastigoi).

Sobre a inclusão de correções de uma possível errata de Mago em nossa edição: se vocês souberem de fontes confiáveis de correções, podem mandá-las para mim. Eu terei de verificar uma a uma com o pessoal da White Wolf, assim como fiz com Lobisomem, mas vale a pena.

Abraços,

MC